terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


Há águas que trazem lágrimas que enxáguam a casa, a vida, inundam a esperança.Por fora, molha. Por dentro, seca.

Enxurradas em uma cidade.

A culpa escorre por todos os lados: político e cidadão.

Em São Paulo todas as águas correm para o mesmo lugar, mas ainda não são suficientes para lavar a vergonha e deixar bem limpo a consciência.

Um papel voa ao vento, dança até o sopro tomar outro rumo.

A janela automática de um Mercedes, a manual do ônibus, a horizontal do trem, todas são a mais pura visão da ignorância.

Hoje em uma rua choro, vendo os meus sonhos escorrerem ladeira a baixo como um barco. Ontem, sorrindo, ensinei meus filhos a contribuírem com o resto de seu doce...Hoje pela televisão digital de plasma, sinto dó de um tipo de povo que nada onde era para andar. Ontem, a minha preguiça mórbida contribuiu...

Em São Paulo todas as águas correm para o mesmo lugar.


foto: André Auke

4 comentários:

Jéssica disse...

É um aquariano, mesmo!
Beijo!

Tulla Duarte disse...

Este ângulo que nos mostra sobre a cidade e tudo em sua volta, é muito interessante.

Bjs

Renata disse...

situação triste, né? vergonhosa, revoltante. resta saber quanto tempo a gente aguentará sentar e empurrar nossa "culpa passiva" para baixo do tapete...
bjo

Gabriela Gomes disse...

É tão nítido ver o quanto essa idéia de futilidade nos afasta de nós mesmos, e das outras pessoas.Mas, ao mesmo há uma contradição...porque tem momentos que imploramos por algo verdadeiro, sentimentos verdadeiros.Muitas vezes me pergunto pra onde estamos indo...