sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ela estava ali, desde do meu nascimento.
Mesmo assim, deixei de vê-la em instantes.
A estrada foi se formando e nela, nos encontramos algumas vezes.
Cheguei a ser ensinado a não olhar para ela. Diziam ser brega, feiA, não estava na moda...
Lá no fundo sentia sua falta e quando seus olhos me piscavam, eu tinha pequenos vislumbres de contentamento.
Chegou o momento de começar a querer procura-la... O que tornou por vezes, uma luta.
Estar com ela é ser julgado.
Disfarcei, escondi, camuflei.
Percebi que ter metas e regras para tê-la, só me deixava mais distante.
Nos momentos em que nos encontrávamos, era tudo tão fácil e obvio.
Mas a receita, sempre mudava.
Quanto mais conceitos, eu acumulava sobre ela, mais distante eu ficava.
E agora a estrada, já tem um pequeno percurso percorrido...
E nela experienciei que em qualquer direção, qualquer caminho, ela está lá.
Hoje, já nos encontramos com mais facilidade e continuidade, ainda não é um relacionamento estável. Mas, como namoramos tão melhor...
Estou definitivamente apaixonado e entregue... Mas não é fácil.
Mesmo envolvido pelo seu beijo, pelo seu toque, pelo seu halito... Eu, sem muito saber o motivo, sem mesmo querer fazer isso, sem desejar nada disso... Por momentos eu me afasto de seu corpo.
Estou aprendendo, estou constantemente aprendendo.
Sem saber de muita coisa, quase nada mesmo. Arrisco em dizer que; por ela me encontro enamorado, por ela me encontro sem chão, por ela me encontro sem direção...
E por ela entrego a minha vida.
E que cada vez mais, eu seja merecedor de sua visita.


Ps. A você dedico essas palavras.
Minha amada, SIMPLICIDADE.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ela: Quem é vc?
Ele: Sou o percurso.
Ela: Percurso?
Ele: Entre um violino e o tambor.
Ela: Vc pode explicar?
Ele: Não. Isso não se explica. Mas, vc pode escutar...
Ela: (...)
Ele: (...)
Ela: Vc me beijou, por quê?
Ele: Isso não se explica...
Ela: Mas...

Ele: Para se ouvir boa musica é preciso ter bons ouvidos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A visita.

As pálpebras se abracam, os olhos assim se fecham ao convite da escuridão necessária. Estar desperto é vital, mas dormir é uma morte natural.
A luz do dia insinua-se para as ondas do meu cérebro, as comunicações estão trocadas, são línguas de diferentes ordens. Mas é assim mesmo quando se desperta, nas hora de dormir e se torna necessário dormir quando tem que acordar.
O relógio para e depois seus ponteiros dançam ao contrário... Mas o tempo do meu corpo diz que o tic tac não cessou. 
Vamos silhos, fechem suas portas, tranquem as janelas, pois neste momento não quero luz, faz se necessário a noite para o meu descanso, mesmo que a escuridão seja artificial.

A rosa e o cinema.



Ali ela estava no banco deitada.
Eu a caminho.
Sua história não sei.
Não importa.
Eu a caminho.
Ela não é minha, eu não sou dela.
Eu a caminho.
Essa noite não dormirá sozinha.
Eu a caminho.
Sua história não sei...
Sozinha não está mais.
Eu e ela na rua caminha.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

No que o beijo.

No que beijo a tua boca, descubro a púrpura do universo.
Vejo as nuvens em meus pensamentos.
Meus pensamentos são as nuvens.
O céu abre-se dentro de mim.

No que beijo a tua boca, descubro o sentido inverso.
O palpável está entre nós.
Você não é o que eu acho isso não importa.
Também sou algo que não sei.

No que beijo a tua boca, serei eu sem eu.
Sinta a essência que dividi e o sádico que seduz.
Sonâmbulo dentro da espaçonave.
Quero acordar na sua cama.

No que beijo a tua boca menina sinto a vida
Beba meu corpo em poucos goles.
Quando estou dentro de você seus olhos brilham.
Vejo a lua em mim concentrada.

No que beijo a tua boca, eu simplesmente beijo a tua boca.

sábado, 29 de setembro de 2012

Sótão.

Não estou muito afim de tudo.
Quero que a vontade cambaleie no ócio.
Danço esses questionamentos embalado por um jazz.
Essa espera é uma tia chata no sótão que não para de cantar Macarena.
Encontro quartos bonitos, mas todos ocupados.
Disseram que uma das portas está a minha espera... Disseram.
Mas essa tia do sótão não para de cantar.
Pelo menos não está dançando aqui perante aos meus olhos.
Esses que em momentos fazem -se a extensão dos meus braços.
Eu poderia meter os pés em um desses quartos, eu poderia.
Mas isso não é mais o meu gênero, pelo menos não agora.
Não preciso dessa violência primitiva, há tempos que optei pelo sutil e gostei dele.
Vou conviver com essa tia por mais algum tempo.
Esse é o preço que cobram. Não pagarei jogando milhos aos porcos.
Prefiro que os porcos se joguem ao milho, assim por livre e espontânea vontade.
A noite é fria, mas o sangue ainda, ainda é quente.
Vou continuar esperando para quando os meus braços voltarem a ser meus braços.
E meus olhos apenas meus olhos...
E esses foram os pensamentos dela, naquela noite de gosto de dama, quando saia vestida de ocasiões.
Ela ainda está andando pela rua de desencontros e olhando as faixas em seu corpo, por onde alguns pedestres passaram.
Em algum momento a musica do sótão vai parar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Apenas uma xícara de café... E mais algumas palavras.

Hoje estou cambaleando.
Ando no meio fio a procura de equilíbrio.
Mas acho que em nossa ultima briga, ele resolveu dar um tempo mais longo.
As cotas de disfarces estão pequenas.
Não sei por quanto tempo elas irão existir e nem sei mesmo se quero que existam.
As filosofias não estão mais servindo ou o meu numero de hipocrisias aumentou ou as filosofias que ficaram pequenas.
Nem neste ultimo refugio que é a escrita, nem aqui sinto o minimo de alivio.
Gostaria de ser verdadeiro, mas sinto muito, perdi as esperanças.
Gostaria de lhe pedir um abraço.
Gostaria de lhe pedir para ficar aqui sem falar nada, apenas ficar. 
Gostaria de dizer que preciso do seu calor.
Gostaria de dizer que não quero conversas, que quero o nosso silêncio (ele é a unica coisa que ainda me inspira verdade).
Mas não sei...
O caminho que tanto trilhei já não me serve mais.
Quem sabe agora sem horizontes alguma mudança aconteça.
As palavras estão sumindo.
Espaços de nevoas ocupam lugares em minha mente.
Formam um desenho que lembra algo como uma partitura musical.
As palavras estão sumindo, estão sendo substituídas por vácuos.
A respiração se torna mais interessante.
A caneta para.
A folha cai...

Obs. Mas pelo menos eu tive um espanto. Há tempos que eu não tinha. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

...isso pode ser sério

Já há tempos sinto que não envelheço.
A idade me acompanha, mas esse estado maroto é continuo.
E não tenho nenhum sentimento de que isso mudará.
Pelo contrario, cada vez tenho a sensação que é para sempre. 
E nem penso em lutar, pois no momento isso me satisfaz. 
Seja lá o que isso significa.
É claro que feições mudarão, não é disso que falo.
Mas não consigo deixar de olhar para o mundo como um maroto.
Acho que nunca serei um homem da sociedade. E isso pode ser sério.
Acho que sempre serei isso, esse. Menino.
E isso pode ser sério.
Agora, tem algo que não acho, tenho minhas máximas certezas.
Algo que nunca serei é ser um ser sério.

E isso pode ser sério.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um sonho suspenso.

Um reencontro casual.
Caminhamos sem palavras em uma ponte que fica em qualquer lugar.
Meu silêncio quer dizer algo e o seu também.
Sorrisos de canto de boca. Entre os passos nossas mãos se atraem.
Sabemos o que nossos olhos falam. É isso o que queremos.
(pausa).
Sua boca sente o impulso do meu desejo. Um beijo sagaz, suspenso no ar e apertado.
Muda-se o tempo, muda-se o espaço.
Estamos em um quarto.
Uma dança.
 Meu corpo e o seu decifrando nossos idiomas.
Palavras são sussurradas, o verbo é lingua, sílabas suor, ponto e reticências.
Estou dentro de voce e voce me eleva.
Contamos nossa história de forma unica.
Seu gosto em minha boca, meu cheiro em sua pele.
Um sonho suspenso.
Nas janelas do inconsciente.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

um poema chega assim



Um poema chega assim; meio sorrateiro não querendo nada, mas dizendo muito...
Empurrando pensamentos, as vezes por dentro, as vezes por fora, abrindo espaços sem forçar nada.
Eh! Ele tem esse jeito malandro que sabe chegar sem fazer barulho e quando dou por mim já danço a melodia que ele bem entender.
Lutar? Não posso, ou melhor, não saberia... Ele vem por águas que desconheço.
Eu até sei alguns dos seus caminhos: é um olhar, um silêncio, um pulsar mais forte, respiração ali naquele estado, uma simples intenção ou às vezes até um nada.
E no fim. Eu agradeço, pois por horas é minha oração, em momentos salvação, por muitas vezes Mestre, nunca deixou de ser amigo, quantas vezes me aliviou o coração (perdi a conta). Estranhamente me confundo com ele, mas sempre sabendo que mesmo ali comigo, ele serve gentilmente a todos. Suas vias muitas: visceral, direto, suave, faceiro, disfarçado, simbólico, feminino, masculino, bobo, careta, sensual... Mas mesmo brincando tanto com esse teatro de facetas, jamais deixou de ser honesto com sua essência...
Talvez seja por isso que ele venha tanto a me procurar.
Por vezes me beija, por vezes me abraça, por vezes me empurra.  Mas sempre ali dizendo: "Não há nada que já não saiba”.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012



Quando acordo faço do dia um arco.
Me envergo em seu peito.
Sou esse espaço que vacila.
Entre a flecha e o alvo.
No final da tarde sacudo a poeira do cansaço.
E guardo em uma sacola bonita.

Deixo-a atrás da porta, para quem sabe um dia...
Voltar hibernar na história ali, esquecida.

Mas de noite, bem de noitinha, lá nos meus sonhos.
Volta a ser aquele que na sacola amarra as fitinhas.
E deixo nelas, nas histórias, uma cor bem definida.


foto: André Auke

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Epístola



Estou próximo do limite.
Alguma mudança é necessária, já sinto isso há um tempo.
Parece que as coisas vão se afunilando.
Sinto a coragem trabalhando na reserva.

Será que consigo?  Será que posso?
Tantas coisas acontecendo. Qual é o real sentido?
Estou aqui, mas por vezes me sinto preso, ou melhor, me prendo.
É inadmissível estacionar nesse mundo onde o fluxo é interminável.

Veja as mensagens. Estou vendo.

Emociono-me com as atitudes de humildade assistidas do meu conforto.
Por que não estou lá se algo dentro de mim vibra?
Muitas estações se passaram e com elas o anseio de estar cada vez mais calado.
Estou ficando cansado das palavras. Ou elas de mim.


Quero um ato, um apenas e nada mais.
Diga que você também quer... Caminhe comigo.
Talvez o tempo de peregrinar sozinho já tenha passado.
Eu sei que existe mais...

Veja as mensagens. Estou vendo.

Não serei privado da vontade.
Essa roupa já está pequena para mim.
Tenho medo que o salto seja muito alto.
Já sinto isso há um tempo.

Veja as mensagens...



foto: André Auke
modelo: Jéssica Fogaça.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Entre as pausas



Quero compor meus espaços em poemas.
Minha vida em musicas e minhas palavras em sinônimos de silêncios.
É assim que minha alma estará em descanso, pois quando escrevo não são as frases que importam, mas sim as pausas entre elas.
É nesses espaços que eu moro.
Venha passar essa noite comigo.
Descubra meu nome nos lençóis.
Não sou escritor, sou apenas um poeta e por isso não encontrará nada em minha fala.
Leia a poesia dos meus olhos e sinta a escrita dos meus toques.
Acorde comigo.
Caminhe comigo entre as pausas.
Essa tarde está perfeita para um poema.
Eu lhe empresto meus chinelos e divido minha caneca.
Há muitos, muitos espaços a serem compostos.


foto: André Auke

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Poeta e a guerra





















O poeta foi à guerra.
Mas ele não sabia usar as armas.
Sua vida, feita de palavras vinda do coração, e sua intuição, ali não serviam.
O poeta foi à guerra.
E sua alma doía.
Ele era o único que via o que era tão claro.
Mas ele não sabia usar as armas.
O que faz alguns homens serem tão diferentes?
A crueldade é tão irônica quando se há permissão.
A guerra é a permissão dada à crueldade.
O poeta foi à guerra.
E lá encontrou as ações de homens de boa fé.
Boa fé em seus ideais.
Havia bandeiras e elas eram dogmas.
As bandeiras ditavam as regras.
O poeta foi à guerra e viu o que era tão claro.
Iguais, com os olhos da alma vendados. Eram as cores de sua pátria.
E ele não sabia usar as armas.
O corpo do poeta doía por não entender que na guerra, o que importava era a soma de corpos.
Suas palavras, vindas do coração, ali não serviam.
Mas, foi lá na guerra que o poeta encontrou o que por toda sua vida declamou em versos.
Ele não sabia usar as armas.
E sorriu pela sua ignorância.
E suas palavras encontraram o que tanto procuravam.
O poeta foi à guerra. E lá ele chorou.
Chorou a tristeza e o êxtase.
Chorou pelo amor encontrado.
Lá estava enrolado numa bandeira.
Mas seu amor tinha uma cor diferente.
E isso os homens de boa fé não perdoavam.
O poeta foi à guerra.
Mas ele não sabia usar as armas.





foto: André Auke

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Auto Retrato


Eu quero o que você não pode dar – Saudades minhas.
Então não venha oferecer migalhas do nunca – Minha Loucura.
Não faça disso a nossa humilhação – Minha integridade.
O jogo acaba aqui – Minha vida.

Um pássaro voa pela janela – Meu suspiro.
É isso que sempre quis dizer– Meu foda-se.
Voa vai. Voa com – Meu olhar.
Abra com as chaves o que nunca foi fechado – Meu ditado.

Sempre compliquei, mas isso foi antes – Fica na sua.
A vontade de nunca dizer coisas certas – Sua boca.
A palavra aqui é fato irônico – Sua brincadeira.
Querendo disfarçar seu lado triste – Sua mania.

Agora tire a roupa e fique assim, nua – Minha obsessão.
Sem as vestes não há mentiras – Tua virtude.
Quero no beijo uma verdade crua – Sua.
E o que restar, sobras de poesias – Minha.


foto: André Auke.
modelo: André Auke.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

No Mundo Incerto



Existe a busca de certezas, mas o sentimento é de perdido.
Ansiar uma direção, mas ela não aparece.
O momento é confuso, horas nebulosas. Não há respostas.
Aventurar-se na esperança, essa que aparece e desaparece, com a mesma facilidade do mágico que ilude o espectador.
Na fé, reduto de um canto do meu inconsciente, cambaleio para lá e para cá.
Não saber o que fazer.
Tudo que é fato tentado, reverbera no ato da ação: espera.
Sensação: tortura, sem datas, sem avisos.
Acorrentado na busca pelo sinal, com a desconfiança de mera ilusão, nascida da ansiedade e criada pelo desespero.
O conhecimento de que nem tudo que reluz é ouro gera mais perigo do que sabedoria.
O pensamento dança com a mente: a vontade de conhecer o não palpável.
A música que toca é a de não cumprir o que tem que ser feito, mesmo não sabendo o que é esse fazer.
A incessante busca olha para o não buscar e ambos apresentam a mesma situação: (indefinida).
Estar no meio e querer gritar: Stop!
Mas o sentido não muda.
O grito interno é de espera.
Forças dissolvem como água escorrendo pelas mãos.
O que fazer? Não sei. Não fazer? Também não sei.
O dilema de Hamlet apresenta-se: Ser ou não ser, eis a questão.
E o que adiantaria ser um Hamlet?
Questionar culpas, covardias, loucuras, amor, talvez.
E no fim, a morte pelo duelo com sua própria crise.
Ok! Superficial perante  um clássico, mas é o que posso no momento.
Sentir-se em um caminho e não saber para onde seguir?
Qualquer migalha de direção transpira alivio.
A vontade resumi-se: me mostre uma abertura.
O corpo recebe na velocidade do mundo todas as cobranças desnecessárias.
Mas que são importantes perante uma sociedade muitas vezes, (vazia).
É um choque entre sentimentos e pensamentos.
O mundo incerto está à espera, não se sabe por que e nem para quê.
No momento, até uma gota de lucidez não saberá que direção seguir.


foto: André Auke.
modelo: Jéssica Fogaça.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nada



Gosto da tranqüilidade que a alma me traz em alguns momentos.
Sinto o mundo passar em suas variações de velocidades.
E eu aqui, sendo mais nada. E isso é bom.
Nossa! Como é bom.

foto: André Auke

segunda-feira, 21 de março de 2011



Há ventos dentro de mim que sopram.
Sou levado para lugares nunca combinados.
Assim ao acaso, caso isso exista.
Gosto, porque sinto que não penso.
Eu Sou assim até o momento que surgi o pensamento: para onde vou?  
Neste instante os ventos cessam.
Volto a ser normal.
Não Sou mais. Pelos menos até os ventos voltarem.
Eles não combinam um com outro, por isso quando um está o outro é ausente.
Quando um chega o outro cede lugar.
Sinto que sou menos sem os ventos.
Sinto que sou menos ainda com os pensamentos.

foto: André Auke
modelos: Tabatta e Gui.




segunda-feira, 7 de março de 2011

Metade de uma lágrima


Á partir de hoje serei um homem de meias lágrimas.
No meu rosto elas não serão mais inteiras.
Não tome isso como uma incompetência de sentimentos, e sim um amor consciente.
Metades delas serão para o mundo e a outra para mim.
Dedico minhas meias lágrimas para dentro, onde realmente tudo acontece.
Dedico a outra metade ao mundo, onde tudo é reflexo.
Ao contrário do que pareça, não há seca.
Em breve inundarei tudo. Eu e o mundo.
E o que hoje são metades um dia será uno.

foto: André Auke


terça-feira, 1 de março de 2011

Pólvora



Estou à procura de um encontro no qual a minha busca diga: fim. 

Sei dos momentos de outrora e por isso não quero repetições.

Isso só aumentaria um pouco mais as minhas ilusões, essas que com tanto custo construí. 

Anos e anos de trabalho afinco diante uma estrutura morta.

Aqui jaz um aquele que todos queriam que fosse outra coisa.


foto: André Auke

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

DILÚCULO





Nesse dilúculo que me observa de cima a baixo, esquento a bunda na grama fria.
Minha cabeça se perde em um vasto campo de memórias esquecidas
Daquelas que só aparecem quando o cansaço sem nome chega.
Flerto com essa vontade louca de ter uma vontade.
Arquivos em cenas de um nocaute chamado “todos” em um rosto chamado “eu”.
As placas indicam que tenho que saber o que no momento não estou sabendo.
São assim mesmo: palavras soltas. Eu não preciso das ligações e sim do silêncio entre elas.
Olho para lá e olho para cá. E sabe o que vejo?
Tudo. Tudo é a mesma coisa. Tudo...
Há tanto a se fazer e essa vontade louca de ter uma vontade não me deixa.
Essa alvorada não pede nada. Não questiona.
Ela só fica ali me observando de cima a baixo.
Apenas isso.
Como diz um amigo poeta: “Tudo o que quero é chegar ao começo”.
Há um ser que não sabe o que escrever, o que pensar, o que fazer.
(                                       ).
E a grama continua fria.
Queria um braço de água. Desses que tem lá no fundo do mato.
Tirar essa roupa que pesa e deixar esse vento que bate em meu rosto sacudir o corpo.
Pular e sentir o abraço forte do lago.
Lá sim, eu respiro.
Aqui, eu sufoco.
Ahhhh! Só em pensar sinto o cheiro das minhas águas.
É disso que preciso: um mergulho de volta as minhas fontes.



foto: André Auke
modelo: Mãe.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

INSANIDADE

Fiz do meu corpo a sua morada
E assim fiz porque queria
Tinha essa necessidade absoluta
De loucura não explícita

Eu me tornei seu amante por necessidade

Não foi uma escolha e sim por pura heresia

Era algo como um viciado em heroína:
Após a primeira picada uma órbita se abria

 

Não me pergunte se voltaria
Não cabe a mim responder coisas que não me instigam

Sou viciado por opção e escravo por destino

Após esse momento serei julgado novamente


Mas a leis normais ou divinas não me excitam

Tenho sempre minha companheira, fiel, abusiva e defensiva:

A MINHA INSANIDADE.
Foi ela que te levou pra cama nas noites de Cabiria.




Foto: André Auke.
Modelo: Jéssica Fogaça.



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sempre estamos olhando para algum lugar.



"Sempre estamos olhando para algum lugar.
Mesmo de olhos fechados".

Esse poema resolvi escrever ou melhor desenhar com um outro tipo de arte que gosto muito.



fotos/edição: André Auke
musica: Allemande - Bach (Victor Yolan)



Obs. Clicando no titulo do poema no vídeo, automaticamente é transferido para pagina do youtube onde a janela para visualizar será maior.

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma Crônica Verdadeira.


A verdade é uma grande mentira. Vamos aceitar esse fato.
Na real, a mentira é a nossa grande amiga e companheira.
Sejamos honestos pelo menos uma vez na vida.
Quantas vezes repetimos a bonita frase: “mesmo que doa, eu prefiro a verdade”?
Mentira! Mentira! Pô, você sabe disso, eu sei disso, todo mundo sabe disso.
Mas, mesmo honestamente, querendo dizer a verdade, estamos sempre mentindo.
É ou não é a nossa grande companheira?
É possível que nem mesmo sozinho aí, lendo essas palavras, você vai assumir a verdade. Vai como sempre, e isso é um ato natural, mentir para si mesmo.
Isso não é uma crítica, somente uma constatação.
A coisa é tão celular que o estranho, o que causaria uma comoção, seria a verdade aparecer.
Talvez no decorrer dessa leitura você tenha pensado em alguns ícones, vários nomes de pessoas que para você são verdadeiras. Vou lhe dizer uma coisa: resuma sua lista, mas resuma messssmo, é capaz de sobrar apenas um. Ou nem isso.
Nessa altura você já está achando um absurdo o que eu estou dizendo, né? Uma arrogância! 
Para mim é verdade o que eu disse, mas tudo pode não passar de mentira disfarçando-se de verdade.
Ela é tão poderosa que tem a capacidade de enganar pessoas inteligentíssimas, fazendo-as acreditar que estão sendo verdadeiras consigo mesmas e com os outros. E pior, isso acontece e dá muito certo. Multidões acreditam. É sério.
Nossa grande companheira honesta, que não nos deixa na mão em nenhum momento: a mentira.
Vamos parar de ser hipócritas - é possível que doa menos.
Nunca fomos e nunca seremos.
Quantos trabalhos, quantas terapias, quantas observações, quantas filosofias de bar e de sala você já não fez?
E a nossa companheira continua ao nosso lado.
Tudo bem, não precisa ficar com vergonha ou nervoso. É super natural discordar do que estou falando. Eu pararia de escrever agora e apertaria o botão “DEL”, se acontecesse o contrário. Mas, graças a você, a todo mundo, inclusive eu, tenho razões para continuar.
Alguns aí, vão apelar para santos. Ok, vale tudo. E eu pergunto: Você acha mesmo que os santos não mentem?
Ai, acho que blasfemei para alguns.
Desculpa. Eu esqueci que vocês acreditam que suas religiões dizem a verdade. Foi mal.
Vamos ser mais compreensivos com ela meu povo!
Ela nunca nos trai. Está sempre a nossa disposição. Não seja um ingrato com quem é tão dedicado a vossa pessoa.
Na próxima vez que se olhar no espelho, não finja que ela não está ali, fiel, prestativa só esperando o seu olhar de compaixão e aceitação.
Eu poderia dar grandes exemplos de coisas e pessoas do mundo, mas eu e você sabemos que não vou precisar disso.
Afinal, o papo aqui é mais individual, não precisamos ir tão longe. É só observar o fluxo de seus pensamentos agora. Isso, agora.
Hum, acho que te peguei!
Sinto que não preciso ir mais além.
Mas não tenho como não dizer uma coisa estranha: “Acho que existe alguma verdade em tudo isso”.
Bem, o papo está bom, mas eu e a minha fiel escudeira nos despedimos.
Desejamos uma boa observação do fluxo de seus pensamentos neste momento. Agora.
Mas, se for mais fácil, não tem nenhum problema chegar à conclusão que tudo isso é uma grande mentira. Vai por mim, isso não seria nada estranho.

foto: Jéssica Fogaça.
modelos: Buda e André Auke.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Chá Frio


Clara está debruçada sobre o parapeito da janela, observando as gotas de água que escorrem pela vidraça.
Cartas e envelopes pelo chão.
A chaleira toca na cozinha anunciando que o chá está pronto.
O apito a faz retornar de um lugar distante.
Com a xícara na mão, senta na poltrona e abre um envelope.

São Paulo, 10 janeiro de 1998.

Olá, Pai.
Faz tempo que não temos algum contato.
Nem sei se o senhor de alguma forma, nesses anos, chegou a lembrar de mim.
Imagino que tenha vivido muitas coisas, pois eu passei por várias.
Estou com 30 anos e já sou casada há 5.
Há tempos penso em escrever.
Hoje, sendo uma menina crescida, compreendo melhor e agradeço a sua coragem de assumir uma criança que não era sua.
Quero muito que essa carta o encontre bem, vivendo do jeito como sempre gostou, ao lado da natureza. Coisa que também gosto muito hoje.
Pai, peço o seu perdão. 

PS. Em breve serei mãe, estou grávida.
      Tenho saudades da Rita.

Clara repousa a carta no colo e bebe seu chá frio.
Olha para a janela e percebe que a chuva passou.
Uma lágrima descansa no papel. Manchando o amarelo da espera com o preto da escrita. 


foto: André Auke
modelo: Jéssica Fogaça.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SER A MARGEM


Estou em luto comigo.
Morre aquilo que não quero mais,
O que não me pertence.
Coisas que não eram para ser, mas por algum motivo estacionaram-se em mim.
Em luto declarado, queimo e espero as cinzas.
Essas as quais com um sopro digo:
- Voltem de onde vieram, sejam esterco para quem queira.
Mas antes da morte faço meu crepúsculo em ordem inversa.
Ando pelos cantos como um marginal.
Meus gritos e sussurros são escutados apenas por mim.
Nem os outros marginais têm ouvidos para isso.
Sou a marginalidade escondida dentro da própria marginalidade.
Existem outros, pois nossas vozes são feitas da mesma vontade.
Mas ainda estamos fadados ao anonimato honrado de um forasteiro.
Cada um em seu beco, ou estradas que sejam.
Às vezes nos olhamos, nos compreendemos e ficamos nisso, apenas isso.
Meu protesto é interno.
Meu luto é comigo.
E agora estou sentado no meu beco velando tudo o que tem que ser queimado.
Vou inspirar toda a fumaça.
E ela ecoara em todos os cantos, caminhos e esquinas.
Mas somente os que estão fora da estrada vão ouvir.
E a esses faço o convite:

Venham comigo velar:
 “O Ser à Margem”.


foto: André Auke.
modelo: Jairo Pereira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A o A c a s o


Encontrei-o ali sozinho.

Namorando com seus pensamentos.
Sua segunda palavra, a meu ver, foi uma tentativa de venda.
A mercadoria eram seus argumentos, agonias, alegrias, fetiches...
Histórias pequenas e outras grandes, mas histórias.
Assim era ele: um belo contador de histórias.
Em nossa conversa as palavras ficavam soltas no ar como a fumaça de seu cigarro.
Perdíamos-nos um do outro por alguns momentos, quando nossos olhos eram pescados por moças belas que desfilavam pela calçada.
E assim estávamos nos dois: sentados sobre o degrau de uma porta de bar fechado, de frente para uma bela calçada.
Foi deste modo que nos encontramos. 
Foi deste modo que eu o encontrei.

Nosso diálogo persistia em divagar com o nada. Nossa conversa passeava perdida pelo ar.
Mas para alegria de nossos olhos as moças bonitas continuavam a passar.
Estávamos naquela tentativa de achar razões para nossas escolhas, pois eram diferentes das pessoas consideradas normais. Era claro que a cada verbo tínhamos a consciência do preço a pagar e já pagávamos. 
Mas isso não nos tornava especiais em nada, já que os normais também pagam. 
O que muda é apenas a moeda, porque o gosto é sempre o mesmo.

Com um pequeno sorriso no canto boca eu folheava em minhas mãos parte do que poderia ser fragmentos da vida dele. Entre uma folha e outra eu colhia algumas palavras soltas, como um poema concretista e ouvia a música que saia de seus lábios. Eram certezas de sua vida no presente. 
Bonita música.  Não tinha sofrimento, mas era triste por seu distanciamento.

Acho-me engraçado pensando nisso agora. Mas sei que um dia esse corpo ao meu lado morrerá. No entanto, essas folhas, mesmo que com o tempo fiquem amareladas, já são eternas.
Será que ele sabe que esse momento já se tornou meu fragmento? Não importa.

Nossa! Como são bonitas essas moças que passam pela calçada.

foto: autor desconhecido.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Poema de um dia só.


Essa manhã eu fui para um lugar onde eu não estava.
Fiquei por lá, algum tempo. Olhando todas as coisas que não existiam.
Encontrei coisas fora do lugar e outras que queriam mudar.
À tarde fui para um lugar onde eu pensava em me encontrar.
Fiquei por lá um bom tempo.
Espantei-me com as coisas que não achei e como elas conversavam de coisas que eu nunca visitei.
Pacientemente esperei a noite chegar. Várias coisas passaram. 
E aqui estou. Há muito tempo, esperando qualquer coisa passar.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sou Alvedrio.


Sou alvedrio, estou no olho.
Dele não saio. Nele observo as veredas, talvez de uma salvação.
Essa que não existe a ninguém.
Estou pasmo com a degustação das desculpas humanas.

Estou no olho, nele mexo e reviro.
Quero ver e sentir algo de vivo.
Algo que não se mostra mais.
Trocaram a presença pela covardia.
Na cara limpa e nem me avisaram.

Nem um e-mail, telefonema, msn, twiter que seja.
Hoje as dores são os símbolos da omissão.
São estrelas que andam em tapetes vermelhos.
Convidados ilustres, aclamados e chamados.

E por que não? Por que seria diferente?
Poder esconder qualquer coisa que você queira?
Então por que não torná-la a dona da sua vida?
Um convite quase impossível de recusar.

Vem, despeja seu ácido corrosivo.
Liquido dessa hipocrisia insatisfeita que é a sua biografia.
De onde está não saberá fazer outra coisa mesmo.
Levante seus olhos na minha frente. Tente.
Pois minhas costas já estão cansadas do seu olhar medíocre.

Outras orelhas estão aborrecidas das suas palavras sem ação.
Olhe-me nos olhos, recite seu verbo em meus ouvidos e você verá pela primeira vez. 
Pela primeira vez você verá um outro mundo.
Tenha coragem e fite os meus olhos e sinta quem você é.

É agora, não existe depois.
Estou no olho e para ele eu te chamo. Guarde sua covardia
Para quando ir ao banheiro. É lá que as merdas devem ficar
E não onde você as coloca neste momento.
Boca de verbos desnecessários.

Perca esse momento e o depois será apenas a consciência.
A consciência tornando-se consciente da sua escolha:
Nasceu homem, mas escolheu viver e morrer Ameba.

foto: André Auke - Paris.

terça-feira, 29 de junho de 2010

PUGNAR *




O mundo anda e eu estou aqui
O mundo grita e eu estou aqui
Não quero saber de nada.
Apenas estar quieto em mim

Não preciso desse barulho
Não hoje, não agora.
Não sairei nem para sorrir, nem para chorar.
Serei velado em cores pastéis.

Todos estão correndo de alguma coisa
Movimentos esclerosados.
Corpos sem paixões.
Talvez corram de si mesmos.

São bonecos expressionistas.
Hipocrisias da moda.
Disfarces de medos e carências.
Tão desconectados.

E nem percebem, nem percebem.
Hoje deito em meu corpo e assim fico
Até o Eu desaparecer.
Sinto-me cansado.

Por isso hoje não saio de mim.
Estou em repouso, sensivelmente em repouso.
Minha respiração quase para.
E assim ficarei.

Volto à superfície quando estiver pronto.
Pois uma batalha me espera.
Com olhos abertos não enxergava.
Agora reconhecerei em mim a própria guerra.

* tomar a defesa de;

foto: André Auke -Gap/França.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Quero você aqui.


Quero você aqui.

Morando nos meus olhos.
Saciando minha sede.
Bebendo meu corpo.
Tragando meu êxtase.

Quero você aqui.

Reconhecendo minha boca.
Traduzindo o que falo.
De pernas abertas e
Olhar de entrega.

Quero você aqui.

Decorando minha carne.
Matando sua fome.
Sem luxurias e melindres.
Sem medo.

Quero você aqui.

Suspirando o meu toque.
Que desliza em desejos.
Abrindo suas vontades.
Acolhendo-te por dentro.

Quero você aqui.

Assim, em febre...
Morrendo em pedaços.
Renascendo em orgasmos.